|
Informações da disciplina
Práticas Metodológicas em EF da 5a a 8a
Série do Ensino Fundamental
(atualizado
em 24/7)
Leia o texto abaixo e
responda:
1. Interprete a seguinte frase: “A
questão do gênero está fundamentada nas diferenças biológicas e
na construção social.”
2. As meninas
são (na maioria das vezes) excluídas nas aulas Educação Física
por questões sociais ou pela (ausência de) conduta do
professor?
3. Uma das soluções do problema
das aulas mistas está nas adaptações das regras. “Se tais regras
solucionam um problema, criam outros, pois quebram a dinâmica do
jogo e, em última instância, as meninas são as culpadas por
isso, pois foi para elas que as regras foram modificadas.” O que
fazer então?
4. Escolha um
esporte e elabore um jogo misto includente para as meninas.
5. Dê sua
opinião sobre o assunto.
Meninos e meninas: Expectativas corporais
e implicações na educação física escolar
Eustáquia Salvadora de Sousa*
Helena Altmann**
RESUMO:
Neste texto discute-se o gênero como construção social que uma
dada cultura estabelece em relação a homens e mulheres,
mostrando que essa construção é relacional, tanto no que se
refere ao outro sexo quanto a outras categorias, tais como raça,
idade, classe social e habilidades motoras. Analisa as
expectativas corporais em relação a meninos e meninas e suas
manifestações na cultura escolar, o esporte como conteúdo
genereficado da educação física e as possibilidades de
intervenção docente na construção das relações entre meninos e
meninas.
Palavras-chave: Gênero, cultura escolar, educação física,
esporte
Nessa
contagem regressiva para o século XXI, existe um movimento de
educadores para que a escola reencontre os vínculos perdidos
entre educação e humanização, assuma a formação do cidadão(ã)
para sua intervenção na vida pública e fortaleça a concepção
democrática, na revitalização do pensamento pedagógico, embora a
imagem dela continue vinculada apenas ao treinamento para o
mercado de trabalho.
Nesse
sentido, a nova Lei de Diretrizes e Bases de Educação Nacional
(Brasil 1996), apesar de suas contradições, abre espaços para a
construção de uma escola comprometida com a cidadania e com a
rejeição à exclusão. Esses espaços são garantidos e reforçados
pelas Diretrizes Curriculares do Ensino Fundamental (Brasil, CNE
1998) que, ao regulamentar a lei, adotam como princípios da
educação a garantia aos direitos e deveres da cidadania, a
política da igualdade, a solidariedade e a ética da identidade.
Também os
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) (Brasil 1997), que
servem de apoio às discussões e ao desenvolvimento dos projetos
educativos da escola, reforçam a necessidade de se construir uma
educação básica que adote como eixo estrutural o princípio da
inclusão, apontando para uma perspectiva metodológica de
ensino-aprendizagem que busque a cooperação e a igualdade de
direitos. Para isso, sugerem um conjunto de temas que aparecem
transversalizados, permeando a concepção dos diferentes
componentes curriculares, dentre os quais a ética, a saúde, a
orientação sexual e a pluralidade cultural, englobando,
portanto, as questões de gênero na cultura brasileira.
Entretanto,
para que essas idéias e esses valores se tornem realidade na
educação escolar não basta incluí-los nas leis e nos PCNs; é
necessário entender que quanto mais o pensamento e a prática
educacionais se situam no campo dos direitos, mais inevitável se
torna encarar a escola como um dos espaços instituídos da
integração e da diversidade. E, como recomenda Arroyo (1996), é
preciso também situar a escola na construção de um projeto
político e cultural por um ideal democrático que reflita, ao
mesmo tempo, a complexa diversidade de grupos, etnias, gêneros,
demarcado não só por relações de perda, de exclusão, de
preconceitos e discriminações, mas também por processos de
afirmação de identidades, valores, vivências e cultura1.
O propósito
deste texto - que discute as relações de gênero na cultura
escolar - é contribuir para a fundamentação de uma ação
pedagógica que permita às mulheres e aos homens, conjunta e
indiscriminadamente, conhecimento e vivências lúdicas do corpo
que pensa, sente, age, constrói e consome cultura.
Gênero: A
construção social das diferenças sexuais
Gênero é
aqui entendido como a construção social que uma dada cultura
estabelece ou elege em relação a homens e mulheres, ou, como
conceitua Scott (1995, p. 89), é um elemento constitutivo das
relações sociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre
os sexos, que "fornece um meio de decodificar o significado e de
compreender as complexas conexões entre várias formas de
interação humana".
Na visão da
autora, o gênero, ao enfatizar o caráter fundamentalmente social
das divisões baseadas no sexo, possibilita perceber as
representações e apresentações das diferenças sexuais. Destaca,
ainda, que imbricadas às diferenças biológicas existentes entre
homens e mulheres estão outras social e culturalmente
construídas.
Dessa
maneira, a ênfase dada pelo conceito de gênero à construção
social das diferenças sexuais não se propõe a desprezar as
diferenças biológicas existentes entre homens e mulheres, mas
considera que, com base nestas, outras são construídas.
Nesse
sentido, Bourdieu (1995) lembra que o mundo social constrói o
corpo por meio de um trabalho permanente de formação e imprime
nele um programa de percepção, de apreciação e de ação. Nesse
processo, as diferenças socialmente construídas acabam sendo
consideradas naturais, inscritas no biológico e legitimadoras de
uma relação de dominação.
Essas
idéias são reforçadas por Bordo (1997, p. 20), ao afirmar que
"por meio da organização e da regulamentação de nossas vidas,
nossos corpos são treinados, moldados e marcados pelo cunho das
formas históricas predominantes de individualidade, desejo,
masculinidade e feminilidade".
Se os
corpos assumem a organização social, a política e as normas
religiosas e culturais, também é por seu intermédio que se
expressam as estruturas sociais. Assim, há uma estreita e
contínua imbricação entre o social e o biológico, um jeito de
ser masculino e um jeito de ser feminino, com atitudes e
movimentos corporais socialmente entendidos como naturais de
cada sexo (Connel 1990). Portanto, o processo de educação de
homens e mulheres supõe uma construção social e corporal dos
sujeitos, o que implica - no processo ensino/aprendizagem de
valores - conhecimentos, posturas e movimentos corporais
considerados masculinos ou femininos. E, nesse sentido,
praticamente,
todo
movimento corporal é distinto para os dois sexos: o andar
balançando os quadris é assumido como feminino, enquanto dos
homens espera-se um caminhar mais firme (palavra que no
dicionário vem associada a seguro, ereto, resoluto - expressões
muito masculinas e positivas), o uso das mãos [...], o
posicionamento das pernas ao sentar, enfim, muitas posturas e
movimentos são marcados, programados, para um e para outro sexo.
(Louro 1992, pp. 58-59)
Como a
idéia de gênero está fundada nas diferenças biológicas entre os
sexos, ela aponta para o caráter implicitamente relacional do
feminino e do masculino. Assim, gênero é uma categoria
relacional porque leva em conta o outro sexo, em presença ou
ausência. Além disso, relaciona-se com outras categorias, pois
não somos vistos(as) de acordo apenas com nosso sexo ou com o
que a cultura fez dele, mas de uma maneira muito mais ampla:
somos classificados(as) de acordo com nossa idade, raça, etnia,
classe social, altura e peso corporal, habilidades motoras,
dentre muitas outras. Isso ocorre nos diversos espaços sociais,
incluindo a escola e as aulas de educação física, sejam
ministradas para turmas do mesmo sexo ou não.
Os sistemas
escolares modernos não apenas refletem a ideologia sexual
dominante da sociedade, mas produzem ativamente uma cadeia de
masculinidades e feminilidades heterossexuais diferenciadas e
hierarquicamente ordenadas (Mac An Gahill 1996). Mesmo com essa
hierarquização, as construções de gênero não se opõem, ou seja,
o feminino não é o oposto nem o complemento do masculino.
Sobre isso,
Poovey (1988) argumenta que a oposição entre os sexos não é
reflexo ou articulação de um fato biológico, mas uma construção
social. A revelação de que a oposição binária é artificial
desestabiliza a identidade aparentemente fixa e rígida do
feminino e do masculino e impede a formulação de outras
possibilidades. No que se refere à diversidade de construções de
gênero, Louro lembra que,
entendendo
gênero fundamentalmente como uma construção social - e,
portanto, histórica -, teríamos de supor que esse conceito é
plural, ou seja, haveria conceitos de feminino e de masculino,
social e historicamente diversos. A idéia de pluralidade
implicaria admitir não apenas que sociedades diferentes teriam
diferentes concepções de homem e de mulher, como também que no
interior de uma sociedade tais concepções seriam diversificadas,
conforme a classe, a religião, a raça, a idade, etc.; além
disso, implicaria admitir que os conceitos de masculino e
feminino se transformam ao longo do tempo. (1996, p. 10)
Um
entendimento dos gêneros como opostos não é exclusividade do
mundo adulto. Após examinar construções de gênero em falas e em
jogos de crianças em escolas primárias inglesas, Francis (1998,
p. 42) afirma que as próprias crianças construíam os gêneros
como opostos, a fim de reforçar seu senso de identidade feminina
ou masculina. Entretanto, essas culturas não eram congeladas, e
as fronteiras dessa divisão eram freqüentemente ultrapassadas ou
recusadas. Similarmente, Thorne (1993) relata ocasiões em que o
senso de gênero como fronteira se dissolvia, e meninos e meninas
interagiam descontraidamente.
Assim,
meninos e meninas não mantêm nítidas as divisões de gênero,
estando por vezes separados e noutras juntos, o que, nas aulas
de educação física, nem sempre ocorre sem muitos conflitos.
As
construções de gênero nas aulas de educação física para turmas
mistas
Sendo
gênero uma categoria relacional, há de se pensar sua articulação
com outras categorias durante aulas de educação física, porque
gênero, idade, força e habilidade formam um "emaranhado
de exclusões" vivido por meninas e meninos na escola (Altmann
1998)2.
Não se pode concluir que as meninas são excluídas de jogos
apenas por questões de gênero, pois o critério de exclusão não é
exatamente o fato de elas serem mulheres, mas por serem
consideradas mais fracas e menos habilidosas que seus colegas ou
mesmo que outras colegas. Ademais, meninas não são as únicas
excluídas, pois os meninos mais novos e os considerados fracos
ou maus jogadores freqüentam bancos de reserva durante aulas e
recreios, e em quadra recebem a bola com menor freqüência até
mesmo do que algumas meninas.
Tais
constatações mostram-nos que a separação de meninos e meninas
nas aulas de educação física desconsidera a articulação do
gênero com outras categorias, a existência de conflitos,
exclusões e diferenças entre pessoas do mesmo sexo, além de
impossibilitar qualquer forma de relação entre meninos e
meninas.
Mas, como
alerta Kunz (1993), em estudo sobre a construção
histórico-cultural dos estereótipos sexuais, no contexto
escolar, a educação física constitui o campo onde, por
excelência, acentuam-se, de forma hierarquizada, as diferenças
entre homens e mulheres. Também Louro lembra que, se em alguns
componentes curriculares a constituição da identidade de gênero
parece, muitas vezes, ser feita por meio de discursos
implícitos,
nas aulas
de educação física esse processo é, geralmente, mais explícito e
evidente. Ainda que várias escolas e professores/as venham
trabalhando em regime de co-educação, a educação física parece
ser a área onde as resistências ao trabalho integrado persistem,
ou melhor, onde as resistências provavelmente se renovam, a
partir de outras argumentações ou de novas teorizações. (1997,
p. 72)
Essas
resistências vêm se mostrando constantes ao longo da história
dessa disciplina na escola brasileira, fortemente vinculada à
biologia e ao positivismo, como apontam diversas autoras, dentre
as quais Soares (1994) e Gomes (1998).
Essa
história mostra que na aparência das diferenças biológicas entre
os sexos ocultaram-se relações de poder - marcadas pela
dominação masculina - que mantiveram a separação e a
hierarquização entre homens e mulheres, mesmo após a criação da
escola mista, nas primeiras décadas deste século. Buscou-se
manter a simbologia da mulher como um ser dotado de fragilidade
e emoções, e do homem como força e razão, por meio das normas,
dos objetos, do espaço físico e das técnicas do corpo e dos
conteúdos de ensino, fossem eles a ginástica, os jogos ou - e
sobretudo - os esportes.
Esporte:
Conteúdo genereficado e genereficador
Com a
introdução do esporte moderno como conteúdo da educação física
escolar no Brasil, principalmente a partir dos anos 30, a mulher
manteve-se perdedora porque era um corpo frágil diante do homem.
Todavia, era por "natureza" a vencedora nas danças e nas artes.
O corpo da mulher estava, pois, dotado de docilidade e
sentimento, qualidades negadas ao homem pela "natureza". Aos
homens era permitido jogar futebol, basquete e judô, esportes
que exigiam maior esforço, confronto corpo a corpo e movimentos
violentos; às mulheres, a suavidade de movimentos e a distância
de outros corpos, garantidas pela ginástica rítmica e pelo
voleibol. O homem que praticasse esses esportes correria o risco
de ser visto pela sociedade como efeminado. O futebol, esporte
violento, tornaria o homem viril e, se fosse praticado pela
mulher, poderia masculinizá-la, além da possibilidade de lhe
provocar lesões, especialmente nos órgãos reprodutores.
À medida
que os anos transcorreram, as perspectivas sob as quais se
adjetivava o esporte foram se alterando e, nas últimas décadas,
presenciamos algumas mudanças: aos homens é dado o direito de
praticar o voleibol, sem riscos para sua masculinidade, e o
futebol passa a ser praticado por mulheres, tanto nos clubes
quanto em algumas escolas.
Essa
participação das mulheres foi autorizada pelo Conselho Nacional
de Desportos (Brasil 1979, Brasil 1983) e endossada por estudos
científicos que jogavam por terra os argumentos sobre a
probabilidade de as mulheres estarem mais propensas às lesões
esportivas do que os homens (Azevedo 1988).
Entretanto,
não se pode considerar que, pelo fato de homens e mulheres
praticarem os mesmos esportes, estes tenham deixado de ser
genereficados. Basta uma análise mais cuidadosa do noticiário
divulgado para verificarmos que eles continuam, de maneira
geral, estreitamente ligados à imagem masculina: destacam-se a
beleza das atletas, suas qualidades femininas, sempre frisando
que são atletas, mas continuam mulheres. Michel Messner (1992)
reforça essas idéias ao considerar o esporte
uma
"instituição genereficada" - uma instituição construída por
relações de gênero. Enquanto tal, sua estrutura e valores
(regras, organização formal, composição sexual, etc.) refletem
concepções dominantes de masculinidade e feminilidade. Os
esportes organizados são também uma "instituição genereficadora"
- uma instituição que ajuda a construir a ordem de gênero
corrente. (Tradução nossa)
Diversos
autores e autoras apontam o esporte como uma atividade
predominantemente masculina e de fundamental importância na
construção da identidade masculina (B. Connel 1992, R. Connel
et al. 1995).
Também
Badinter (1993, p. 94) afirma que os esportes que envolvem a
competição, a agressão e a violência são considerados como a
melhor iniciação à virilidade, pois é nesse espaço que o
adolescente ganha "status de macho", mostrando
publicamente seu desprezo pela dor, o controle do corpo, a força
e a vontade de ganhar e esmagar os outros. "Em suma, mostra que
não é um bebê, uma moça ou um homossexual, mas um homem de
verdade."
Essa imagem
do esporte continua afastando as mulheres de sua prática. Se
freqüentarmos quadras esportivas em algum parque num final de
semana, provavelmente encontraremos um número significativamente
maior de homens do que de mulheres jogando. Também nas escolas
as quadras esportivas são normalmente ocupadas por meninos
durante o recreio e horários livres, o que, até certo ponto,
demonstra que eles dominam esse universo.
Em Belo
Horizonte, Altmann (1998) mostra que, na escola, os meninos
ocupam espaços mais amplos que as meninas por meio do esporte, o
qual está vinculado a imagens de uma masculinidade forte,
violenta e vitoriosa.
Isso também
parece ocorrer em escolas de outras partes do mundo. Observando
pátios de escolas norte-americanas, Thorne (1993) constatou que
meninos ocupavam dez vezes mais espaço do que meninas durante o
recreio e, enquanto eles controlavam espaços maiores e
principalmente destinados a esportes coletivos, elas permaneciam
em espaços menores e mais próximos ao prédio, obtendo, assim, a
proteção dos adultos. Além disso, meninos invadiam e
interrompiam os jogos femininos mais freqüentemente que o
contrário. Na Inglaterra, Grugeon (1995) registrou que o domínio
masculino do espaço físico durante os recreios ocorria
principalmente por intermédio do futebol.
Outra
questão importante a ser destacada é que meninas não são vítimas
de uma exclusão masculina. Vitimá-las significaria
coisificá-las, 'aprisioná-las pelo poder', desconsiderando suas
possibilidades de resistência e também de exercício de dominação
(Altmann 1998). Como exemplo do exercício dessa resistência,
trazemos o relato de um dia em que meninas jogaram futebol
durante um recreio - espaço diariamente ocupado apenas por
meninos.
Para se
inserirem naquele universo masculino, as meninas lançaram mão de
estratégias. Primeiro, visando evitar conflitos, chegaram cedo
nas quadras com uma bola, organizando-se antes mesmo da chegada
dos meninos. Segundo, permitiram que dois deles fossem os
árbitros do jogo. Ao conceder-lhes o papel de autoridade, elas
fizeram da aparente aceitação do domínio masculino daquele
esporte uma estratégia para jogar, pois, ainda que o papel
de árbitros lhes tenha sido concedido, o exercício pleno
desta função não o foi, pois eram as meninas que mandavam em
quadra. Apesar de todos os xingões que ouviram, os árbitros, e
não as jogadoras, estiveram prestes a levar um cartão vermelho e
serem expulsos de campo.
Os meninos
também não foram passivos:
A
resistência das meninas ao domínio masculino das quadras foi tão
eficiente que a situação se inverteu: elas passaram a dominar e
eles, a resistir.
Houve,
então, um efeito de contra-resistência: ao perceberem que elas
dominavam as quadras, os meninos tentaram restabelecer seu
domínio, planejando uma invasão e chamando as meninas que
jogavam de Marias-homem. Ainda assim, as Marias
jogaram o recreio inteiro.
Quando
meninos e meninas praticam juntos algum esporte, parece haver
expectativa de que as práticas e os espaços esportivos sejam
dominados por meninos. Na escola pesquisada,
jogar com
as meninas não era um desafio para os meninos, pois um bom
desempenho contra meninas não lhes creditava qualquer mérito
especial, e jogar pior do que elas era um vexame, pois ia contra
a expectativa de superioridade masculina nesse universo. Desse
modo, jogar com meninas representava para eles não um desafio,
mas uma ameaça.
Para as
meninas, por sua vez, superar as expectativas e ser melhor que
os meninos no esporte era uma honra, motivo de consagração que,
em algumas ocasiões e entre alguns meninos, garantia-lhes
legitimidade. Noutros momentos, porém, a desvalorização de sua
prática esportiva e delas como mulheres era uma maneira de
resistir ao abalo que sua presença nas quadras infligia ao
domínio masculino daquele espaço. (Altmann 1998, pp. 98-99)
Assim,
ainda que a prática de atividades esportivas seja mais freqüente
entre homens, o envolvimento de mulheres com os esportes,
inclusive com o futebol, está longe de ser desprezível. Se no
passado apenas meninos jogavam bola, hoje meninas freqüentam
esses campos não mais apenas como espectadoras, mas buscando
romper com as hierarquias de gênero.
Exemplo
dessa hierarquização pode ser lido numa reportagem intitulada
"Mulheres invadem campos de futebol" recentemente publicada na
Folha de S. Paulo, na qual afirma-se que "matar a bola no
peito, driblar o adversário e marcar um gol não é mais
exclusividade do mundo masculino". Ela destaca que o futebol
tornou-se uma possibilidade de emprego para mulheres, que podem
receber salários entre R$ 500 e R$ 1.000, valores bastante
inferiores aos salários recebidos por jogadores do sexo
masculino.
Outro dado
interessante é que essa reportagem de meia página localizava-se
nos classificados de emprego e não na seção de esportes, que era
composta praticamente por cinco páginas com artigos sobre
campeonatos brasileiros masculinos de primeira e de segunda
divisão e sobre torneios internacionais (Abbud 1999).
Quanto aos
homens, continuam "proibidos" de praticar alguns esportes,
dentre os quais a Ginástica Rítmica Desportiva (GRD). Esse
esporte é um dos conteúdos de ensino da educação física que nos
permitem ler a genereficação do esporte, como também os
mascaramentos que, historicamente, foram sendo modificados para
que seja garantida a manutenção de valores desejados, com regras
diferenciadas para homens e mulheres. Ao se tornar esporte
considerado feminino, seu sentido de expressão de arte mudou
para significado de eficiência e perfeição técnica,
adaptando-se, portanto, ao conjunto de valores que o esporte
prevê para os homens. Entretanto, mascarando-se o sexismo dos
gestos, esse esporte, mesmo exigindo riscos, valoriza a aparente
leveza e feminilidade. Dessa forma, a GRD, uma experiência que
poderia ser interessante para ambos os sexos, pois possibilita a
interação entre o corpo e o manejo de aparelhos manuais
diferenciados, passa a ser valorizada pelos gestos sexistas.
O
entendimento das barreiras da prática indiferenciada de esporte
por homens e mulheres na escola remete-nos à afirmação de Kunz
(1993, p. 118). Afirma essa autora que:
Na
contraposição das possibilidades expressas pelos dois mundos
esportivos, respectivamente para o feminino e masculino -
cooperação/competição, sensibilidade/racionalidade,
criatividade/produtividade [agressividade/delicadeza] -
evidenciam-se os pólos que o esporte, como praticado nas
escolas, não deixa, por enquanto, conciliar.
Intervenção docente
No que se
refere à intervenção docente, várias considerações podem ser
feitas, dado o importante papel do professor ou da professora na
aula. Para Louro (1997, p. 75), as aulas de educação física
representam uma situação constante e peculiar de exame:
O uso de
alinhamentos, a formação de grupos e outras estratégias típicas
dessas aulas permitem que o professor ou professora exercite um
olhar escrutinador sobre cada estudante, corrigindo sua conduta,
sua postura física, seu corpo, enfim, examinando-o/a
constantemente. Alunos e alunas são aqui particularmente
observados, avaliados e também comparados, uma vez que a
competição é inerente à maioria das práticas esportivas.
Todavia,
esse olhar escrutinador não é exercitado somente pelo docente,
mas pelos estudantes entre si. Na escola, estudantes estão
constantemente vigiando as habilidades, as atitudes, o gênero e
a sexualidade dos colegas. Quando, por exemplo, meninos e
meninas são vistos juntos, é comum ocorrerem comentários
pejorativos ou "gozações" entre outros colegas, como chamando-os
de namorados ou questionando sua sexualidade por a atividade ser
considerada feminina ou masculina.
Sobre essa
questão, Thorne (1993) afirma que a presença de adultos entre
crianças pode diminuir a separação de gênero, pois, ao
incentivarem a prática conjunta de meninos e meninas, os
comentários pejorativos provenientes dessa interação são
minimizados.
Também
Serbin (1984), pesquisando escolas elementares norte-americanas,
mostrou que a presença do professor ou da professora em algum
local já é por si mesma um fator de extrema importância na
determinação das atividades da criança. As professoras, por
terem sido socializadas como mulheres, têm interesses
específicos na sala de aula e, conseqüentemente, acabam
interagindo com as crianças, principalmente por meio de
atividades de preferência feminina. Isso facilitaria um
envolvimento dos meninos com essas atividades, mas não o
envolvimento de meninas em atividades predominantemente
masculinas. No experimento feito, quando a professora ocupou
áreas na sala de aula onde ficavam brinquedos como blocos e
caminhões, as meninas tímidas, que antes nunca tinham ido
àqueles locais, aproximaram-se. A pesquisadora concluiu que as
meninas não chegavam àqueles locais porque a professora não ia
até lá. Os mesmos resultados foram obtidos com os meninos,
quando a professora foi brincar com bonecas e quando a
experiência foi repetida com professores.
"A postura
docente é uma referência que define como meninas e meninos agem
e se relacionam entre si" (Altmann 1998, p. 101). Meninos e
meninas nem sempre reagem da mesma forma à intervenção docente,
e um exemplo reside no fato de que meninos desobedecem mais a
normas escolares e a solicitações docentes do que meninas.
Assim, uma
maneira encontrada por meninas - e, em menor freqüência, por
meninos - para resolver problemas e conflitos presentes nas
aulas era por meio da intervenção docente. A professora
incentivava seus alunos e alunas a colocarem-na a par do que
ocorria nas aulas e a solicitarem sua ajuda para resolver
problemas. Essa atitude não poderia ser interpretada como uma
incapacidade de resolver o problema, pois quem levava a
professora a agir era a aluna ou o aluno. Por meio da
intervenção da professora, escondendo-se atrás dela, esses
estudantes conquistaram o que desejavam (Altmann 1998).
Adaptar as
regras de algum jogo ou esporte como recurso para evitar a
exclusão de meninas desconsidera a articulação do gênero a
outras categorias. Determinar que um gol só possa ser efetuado
após todas as meninas terem tocado a bola, ou autorizar apenas
as meninas a marcá-los são exemplos dessas adaptações. Se tais
regras solucionam um problema, criam outros, pois quebram a
dinâmica do jogo e, em última instância, as meninas são as
culpadas por isso, pois foi para elas que as regras foram
modificadas.
Como afirma
Louro (1997), modificar as regras do jogo pode representar uma
forma de ajustar o jogo à "debilidade" feminina, mais uma vez
consagrando-se a idéia de que o feminino é um desvio construído
com base no masculino. Além disso, a exclusão é aí
tratada como unicamente de gênero, e aqueles meninos excluídos
com as regras oficiais continuam a enfrentar o mesmo problema
quando as regras são adaptadas.
São
inúmeros os conflitos e as dificuldades dos educadores no
enfrentamento das questões de gênero presentes na cultura
escolar, especialmente nas aulas de educação física, pois se
trata de valores e normas culturais que se transformam muito
lentamente.
É
importante lembrar que o processo de socialização das novas
gerações não é simples nem pode ser considerado de modo linear
ou mecânico. Ele é complexo, sutil e marcado por inevitáveis
resistências individuais e grupais, bem como por profundas
contradições. Nesse processo, a tendência conservadora lógica -
presente em toda comunidade social para reproduzir
comportamentos, valores, idéias, artefatos e relações que são
úteis para a própria existência do grupo humano - choca-se
inevitavelmente com a tendência, também lógica, que busca
modificar os caracteres dessa formação que se mostram
desfavoráveis para alguns dos indivíduos ou grupos que compõem o
complexo e conflitante tecido social (Pérez Gomes 1998).
Além disso,
lembrando Sacristán (1995, p. 89), cabe ressaltar que "a escola
não opera no vazio; a cultura que ali se transmite não cai em
mentes sem outros significados prévios". Os estudantes são seres
com uma bagagem prévia de crenças, significados, valores,
atitudes e comportamentos adquiridos fora da escola. A
televisão, os quadrinhos, a fala e as atitudes cotidianas dos
adultos e dos grupos de amigos estão cheios de estereótipos de
gênero, de crenças sobre o que é ser homem ou mulher em nossa
cultura.
Se, por um
lado, esse fato limita o poder de intervenção da escola, por
outro, não podemos esquecer que a escola também constrói cultura
e que é possível criar propostas político-pedagógicas que
vinculem a cultura escolar e as aprendizagens de origem externa
à escolaridade.
Mesmo
entendendo que o ensino escolar é uma alavanca de potencial
limitado para a conquista de objetivos que afetam valores e
comportamentos enraizados nos distintos grupos sociais,
acreditamos que existe a possibilidade de ampliação de espaços
para a construção de relações não-hierarquizadas entre homens e
mulheres, para a qual a escola pode contribuir.
Notas
1. Diversos estudos sobre as questões de gênero da educação
física escolar foram produzidos no Brasil, dentre os quais:
Romero 1990 e 1995; Kunz 1993; Sousa 1994; Ferreira 1996;
Oliveira 1996; Soares 1994 e Gomes 1998.
2. Utilizando procedimentos da etnografia, a autora buscou
compreender como meninos e meninas constroem as relações de
gênero. A pesquisa desenvolveu-se em uma escola municipal de
Belo Horizonte. Foram observados recreios e aulas de educação
física de quatro turmas de 5a série.
Boys and girls: Genre issues and its implication on education
ABSTRACT: In this paper gender is discussed as a social
construction which is established by a given culture in relation
to men and women. Gender is characterised as a relational
construction with reference not only to the other sex but also
to categories such as race, age, social class and motor skills.
The paper also analyses: (i) boys' and girls' anticipated bodily
expectations and how they manifest in school culture; (ii) how
this concept of sport can be re-defined by applying this notion
of gender to contents in Physical Education; (iii)
possibilities for teachers' interventions in the construction of
relationships between boys and girls.
Bibliografia
ABBUD, Lia
Regina. "Mulheres invadem campos de futebol". Classificados de
empregos, p. 8. Folha de S. Paulo, 7/2/1999. [ Links ]
ABREU,
Neíse Gaudêncio. "Análise das percepções de docentes e discentes
sobre turmas mistas e separadas por sexo nas aulas de educação
física escolar". In: ROMERO, Eliane (org.), Corpo,
mulher e sociedade. Campinas: Papirus, 1995, pp. 157-176.
[ Links ]
ALTMANN,
Helena. "Rompendo fronteiras de gênero: Marias (e) homens na
educação física". Dissertação de mestrado em educação. Belo
Horizonte: UFMG, 1998, 111p. [ Links ]
ARROYO,
Miguel G. "Prefácio". In: DAYRELL, Juarez (org.).
Múltiplos olhares sobre educação e cultura. Belo Horizonte:
UFMG, 1996, pp. 7-8. [ Links ]
AZEVEDO.
Tania Maria Cordeiro de. "A mulher na educação física;
preconceitos e estereótipos". Dissertação de mestrado em
educação. Niterói: Faculdade de Educação da UFE, 1988, 233p.
[ Links ]
BADINTER,
Elisabeth. XY - Sobre a identidade masculina. Trad. Maria
Ignez Duque Estrada. 2a ed. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 1993, 266p. [ Links ]
BORDO,
Susan R. "O corpo e a reprodução da feminilidade: Uma
apropriação feminista de Foucault". In: JACAR, Alison e
BORDO, Suzan, R. Gênero, corpo e conhecimento. Trad.
Britta Lemos de Freitas. Rio de Janeiro: Record e Roda dos
Tempos, 1997, pp. 19-41. (Coleção Gênero, v. 1) [ Links ]
BOURDIEU,
Pierre. "A dominação masculina". Educação e Realidade, v.
20, no 2. Porto Alegre, jul./dez. 1995, pp.
133-184. [ Links ]
BRASIL.
Deliberação 10/79 do CND. Baixa instruções às entidades
esportivas do país, para prática de desportos para as mulheres.
Diário Oficial, Brasília, 31 dez. 1979. Seção 1, p.
20.220. [ Links ]
_______.
Deliberação 01, de 25 mar. 1983. Dispõe sobre normas básicas
para prática de futebol feminino. Diário Oficial,
Brasília, 11 de abr. 1983. Seção 1, p. 5.794. [ Links ]
_______.
Lei 9.394/96 de 20 de dez. 1996. Estabelece as Diretrizes e
Bases da Educação Nacional. [ Links ]
_______.
Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares
Nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997. [ Links ]
_______.
Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais
para o ensino fundamental.
Parecer CEB 04/98,
29 de jan. 1998. [ Links ]
CONNEL, Bob. "Masculinity, violence, and war". In:
KIMMEL, M. e MESSNER, M. Men's lives. Nova York e
Toronto: MacMillan Publishing Co. e Maxwell MacMillan Canada,
1992, pp. 176-183. [ Links ]
CONNEL,
Robert W. "Como teorizar o patriarcado?". Educação e
Realidade, v. 15, no 2. Porto Alegre,
jul./dez. 1990, pp. 85-93. Número Especial Mulher e Educação.
[ Links ]
_______.
"Políticas da masculinidade". Educação e Realidade, v.
20, no 2. Porto Alegre, jul./dez. 1995, pp.
185-206. [ Links ]
CONNEL,
R.W. et al. Estabelecendo a diferença: Escolas,
famílias e divisão social. 7a ed. Trad.
Ruy Dias Pereira. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995, 228p.
[ Links ]
DAOLIO,
Jocimar. Da cultura do corpo. Campinas: Papirus, 1995.
[ Links ]
FERREIRA,
José Luiz. "As relações de gênero nas aulas de educação física.
Um estudo de caso em uma escola pública de Campina Grande (PB)".
Dissertação de mestrado em educação. João Pessoa: Universidade
Federal da Paraíba, 1996, 182pp. [ Links ]
FRANCIS, Becky. "Oppositional positions: Children's construction
of gender in talk and role plays based on adult occupation".
Educational Research,
v. 40, no 1, 1998, pp. 31-43. [ Links ]
GOMES, Euza
Maria de Paiva. "Atividades físico-desportivas de mulheres da
elite carioca (1860 a 1930)". Dissertação de mestrado em
educação física. Rio de Janeiro: Universidade Gama Filho, 1998,
120p. [ Links ]
GRUGEON, Elizabeth. "Implicaciones del género en la cultura del
patio de recreo". In: WOODS, Peter e HAMMERLEY, Martyn.
Gênero, cultura y etnia en la escuela.
Informes
etnográficos.
Barcelona: Ministério de Educação e Ciência, 1995, pp. 23-47.
[ Links ]
KUNZ, Maria
do Carmo Saraiva. "Quando a diferença é mito: Uma análise da
socialização específica para os sexos sob o ponto de vista do
esporte e da educação física". Dissertação de mestrado em
educação. Florianópolis: UFSC, 1993, 167pp. [ Links ]
LOURO,
Guacira Lopes. "Uma leitura da história da educação sob a
perspectiva de gênero". Teoria e Educação, no
6. Porto Alegre, 1992, pp. 53-67. [ Links ]
_______.
"Nas redes do conceito de gênero". In: LOPES, Marta
(org.). Gênero e saúde. Porto Alegre: Artes Médicas,
1996, pp. 7-18. [ Links ]
_______.
Gênero, sexualidade e educação; uma perspectiva
pós-estruturalista.
Petrópolis: Vozes, 1997. [ Links ]
MAC AN GHAILL, Marítín. "Deconstructing heterosexualities in
school arenas". Curriculum Studies, v. 4, no
2. Inglaterra, 1996, pp. 191-210. [ Links ]
MESSNER, Michael. "Boyhood, organized sports, and the
consctuction of masculinities". In: KIMEL, Michael e
MESSNER, Michael, Men's lives. Nova York e Toronto:
MacMillan Publisching Co. e Maxwell MacMillan Canada, 1992, pp.
161-131. [ Links ]
OLIVEIRA,
Greice Kelly de. "Aulas de educação física para turmas mistas ou
separadas por sexo? Uma análise comparativa de aspectos motores
e sociais". Dissertação de mestrado em educação física.
Campinas: Unicamp, 1996, 161pp. [ Links ]
PÉREZ,
Gomes. "As funções sociais da escola: Da reprodução à
reconstrução crítica do conhecimento e da experiência". In:
SACRISTÁN, J. Gimeno e PÉREZ, Gomes. Compreender e
transformar a escola.
4a ed., Porto Alegre: Artmed, 1998, pp. 13-25.
[ Links ]
POOVEY, Mary. "Feminism and deconstruction". Feminist Studies,
v. 14, no 1, 1988, pp. 51-65. [ Links ]
ROMERO,
Elaine. "Estereótipos masculinos e femininos em professores de
educação física". Tese de doutorado em psicologia. São Paulo:
Instituto de Psicologia da USP, 1990, 325p. [ Links ]
_______.
(org.). Corpo, mulher e sociedade. Campinas: Papirus,
1995, pp. 99-108. [ Links ]
SACRISTÁN,
J. Gimeno. "Currículo e diversidade cultural". In: SILVA,
Tomaz Tadeu e MOREIRA, Antônio Flávio (orgs.). Territórios
contestados; o currículo e os novos mapas políticos e culturais.
Petrópolis: Vozes, 1995, pp. 82-113. [ Links ]
SCOTT, Joan. "Deconstructing equality versus difference: Or the
uses of poststructuralist theory for feminism".
Feminist
Studies,
v. 14 no 1, 1988, pp. 33-49. [ Links ]
________.
"Gênero: Uma categoria útil de análise histórica". Educação e
Realidade, v. 20, no 2.
Porto Alegre, jul./dez. 1995, pp. 71-99. [ Links ]
SERBIN, Lisa. "Teachers, peers and play preferences: An
environmental approach to sex typing in the preschool". In:
DELAMONT, Sara (org.). Reading on interaction in classroom.
Grã-Bretanha: Richard Clay LTD, 1984, pp. 273-289. [ Links ]
SOARES,
Carmem Lúcia. Educação física: Raízes européias e Brasil.
Campinas: Autores Associados, 1994, 167p. (Coleção Educação
Contemporânea). [ Links ]
SOUSA,
Eustáquia Salvadora de. "Meninos, à marcha! Meninas, à sombra! A
história da educação física em Belo Horizonte (1897-1994)". Tese
de doutorado em Educação. Campinas: Unicamp,
1994. [ Links ]
THORNE, Barrie. Gender play: Girls and boys in school.
New Jersey: Rutgers University Press, 1993, 237pp. [ Links ]
* Professora da Faculdade de Educação da UFMG; licenciada em
Educação Física; doutora em Educação pela Unicamp.
** Professora da Fundação de Ensino Superior de Bragança
Paulista; licenciada em Educação Física; mestre em Educação pela
UFMG.
bbheart@bbheart.com.br
|